segunda-feira, dezembro 11, 2006

O Tio Juca

Uma das coisas bonitas nas lembranças é que elas são completamente inmensuráveis! Muitas vezes tenho a impressão de que tenho poucas lembranças dos vôs, vós e tios, de que aproveitei pouco o tempo que tive com os que já se foram. Talvez por isso esse blog, tentar resgatar e mesmo preservar as lembranças e até mesmo ganhar novas com as histórias de cada um.

Por outro lado, e este é o melhor de lembrar, as vezes pequenas lembranças, fatos simples, revestem-se de um tamanho enorme no coração da gente. O meu Tio Juca por exemplo, o Tio Juca foi um cara que eu queria ter conhecido mais, conversado mais, ouvido mais, mas, coisas de quem acha que sabe tudo, aproveitei menos do que poderia.

O Tio Juca que eu tenho na memória é um cara com um sorriso enorme, um bigode quase do mesmo tamanho do sorriso, um cabelo assim meio Pedro Cardoso, sentado na mesa da cozinha da casa da Vó Onésia, ele e o Vô Giovanni, os dois sem camisa, e o tio com um chaverinho da madeireira dele que era um mini-canivete. E eu muleque, doze anos talvez, adorei aquele canivetinho, gostei tanto que pedi para mim e levei bronca na hora da D. Arlene para não ser pidão. Pois o Tio Juca falou: "Deixa sô, é claro que eu dou, inda mais pro Giovanni que nunca me pede nada. Como todo carinho!" Cara legal meu tio!

O chaveiro canivetinho eu não sei que fim levou, ou melhor sei bem onde está, o objeto não resistiu muito as investidas do Giovanni muleque tentando cortar lascas das portas e galhos das árvores e sumiu no mundo, já o presente, esse guardo comigo e é a maior pequena lembrança que tenho desse cara supimpa do sorriso grande, Meu Tio Juca.

Beijo Tio!

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