terça-feira, novembro 28, 2006

AS TIAS

Essa semana voltavamos de carro, ou íamos, nao lembro bem e eu e Ariela comentávamos sobre pessoas que dormem em situações, locais inadequados. O Marquinhos, meu filhote do meio, saiu com um TIA ANETE de todo tamanho.

É verdade! Na casa de vó, tinham 02 tias que fizeram parte da nossa história.

Tia Aneci que era a verdadeira dona de/a casa, a brava! Muito carinhosa mas gostava de tudo extremamente organizado. Cuidava para que nada faltasse a ninguém. Mais tarde encontrou o Tio Delcio e foi cuidar de si mesma. E fez falta a muita gente...

e

Tia Anete! Essa nunca cuidou de si. Vivia no mundo da lua. Juntava a sobrinhada toda levava pra Lojas Americanas no Centro e fazia festa. Lembro da gente no ônibus com aquele monte de brinquedo, entupidos de balas e chocolates. Felizes como crianças, e ela era uma delas. Tia bagunçada do jeitinho que criança adora...sem juízo.

Boas lembranças! Uma hora eu conto como foi a aventura vivida com ela aqui em Brasilia...o Junior era bebê de fraldas...e nao sobrou uma única...rsrsrsrs

segunda-feira, novembro 20, 2006

Só ela mesmo

Gostei muito dos posts da Lalinha aí embaixo. Isso é que é legal nesse blog, cada um vai ter uma perspectiva um pouco diferente. E cada um, ao falar do outro, fala também de si mesmo. Esse post me lembrou outra pequena estória, que só conheci poucos anos antes de vó morrer. Me disseram que ela ficava horas na varanda olhando para a BR para ver passarem os fuscas vermelhos (mais precisamente, grenás) porque era o carro do meu pai, e podia ser que ele estivesse chegando. Só ela mesmo ...

sexta-feira, novembro 17, 2006

MINHA VELHINHA - PARTE 2

Vó Lalinha foi e é pra mim a melhor tradução do AMOR, o significado da mansidão, o símbolo maior de ternura. Foi minha avó, minha mãe, minha amiga. Me ensinou crochê, um pouco de costura, me mostrou que silenciar é muitas vezes o grande segredo da paz. Ali naqueles muitos meses que passamos juntas eu a vi sorrir, raras vezes gargalhar, ralhar mansinho, chorar baixinho e muitas vezes por dentro. Resignação. Saudade. Paciência.

Foram diversas lições de vida. Segredos nossos cochichados ao cair da tarde na varanda. Sem diferença de tempo, sem distância. Corações que andavam juntos.

Paro de escrever e me volta o embargo na garganta quando todo ano nos despedíamos no portão. Beijos, abraços que com o tempo foram ficando carregados com a sensação da última vez. Era sempre a última vez. Mas no ano seguinte eu voltava e ela estava lá. Sentadinha na sua cadeira de palha a me olhar com a mesma ternura com que ela olhou para aquela bebê rechonchuda que recebeu de presente o seu nome.

Termino em lágrimas incontidas, lembrando das muitas cartas dela (e as da Patricia também) que ainda tenho guardadas. Vou ver se coloco alguma aqui.

É...Vó! Te amo! E agradeço sempre ter aproveitado todas as oportunidades para lhe dizer isso, em palavras e atos! Vou pra casa abraçar meus filhos!

Lalinha (com um orgulho danado desse nome)

MINHA VELHINHA - PARTE 1

A minha velhinha. A mais doce das criaturas que eu já conheci. Comecei este post na perspectiva de descrevê-la, mas todas as vezes que tento começar a escrever sobre ela as lágrimas me embaçam os olhos. Aquela que nunca aceitou que eu cresci, pra quem toda a vida eu fui sua menina, que já no hospital nos seus últimos dias de vida me pediu pra deitar no seu colo e me embalou como a um bebê.

A mulher que na sua sabedoria quase infantil olhou pra mim - quando recém-separada com o Rodrigo (o meu filho que ela jurava ser da minha mãe!) no colo eu fui me refugiar no seu aconchego, proibida de contar a ela o que se passava – e sentada no portão na sua cadeira de palha, a olhar a avenida Antonio Carlos me disse: “Não te preocupa minha filha, voce ainda vai encontrar seu príncipe encantado!”.

CORREA VASQUEZ 168

Eu passava todas as minhas férias no nº 168 da Correa Vasquez. Era a netinha da vovó. Lembro com saudade quando a casa ainda era inteira e tínhamos o pomar e o jardim. As goiabas com que a tia Aneci fazia doce ficavam na frente da casa. As roseiras da vó também.

No jardim que tinha uma portinha lateral ficava o carramanchão, mais e mais roseiras e a parreira, onde todo ano tinha O mais lindo cacho de uva amarrado no saquinho e guardado pra mim. Eu ia lá quase todo dia aguar as plantas com a vó. Lá nos fundos tinha a amoreira, a figueira (essa ficava no galinheiro que eu tanto temia, e tinha figos deliciosamente doces), goiabeira...essas são as que eu me lembro bem.

A casa grande, uma sala enorme onde, enquanto tia Aneci tentava botar ordem, a gente corria a procurar a dentadura da tia Anete, ou óculos, ou qualquer outra coisa que ela tivesse perdido.

Os quartos se transformavam numa bagunça infinita, cheios de malas (e como a gente tinha mala!). Eu escapava um pouco da bagunça porque meu lugar era garantido no quarto da Vó. Aquele onde lá no fundo do guarda-roupa ela mantinha o paletó do Vô Dedé sempre com o bolso cheio de balas.


terça-feira, novembro 14, 2006

E por falar em galinheiro...

Eu não me lembro direito do galinheiro lá da casa da vó...

Na verdade eu tinha um certo medo do quintal, raramente ia até lá.

Gostava mesmo era de brincar no jardim que se abria atras do portão de metal azul numa calçada curva que subia até a varandinha que ficava em cima da oficina e em frente à porta da casa.

Mas vim falar do galinheiro que ficava lá atrás da casa no qual Giovanni e Junior uma vez acorrentaram Lalinha (a neta não a avó, claro). Que foi achada lá sabe-se lá por quem, sabe-se lá quanto tempo depois, gritando baixinho morrendo de medo das galinhas...

Mas é claro que nenhum dos dois "santos meninos" lembra disso. Por sinal acho que nem Lalinha lembra, mas minha mãe nunca esqueceu essa história !!! :)

sexta-feira, novembro 10, 2006

Quando a gente era feliz

Essa é para você, Minduim, você precisa saber que há uma teia que o liga a outras histórias, outros lugares, acaso mais exóticos que Kununurra e meio que perdidos no milênio passado, há Correia Vasquez, e há Rua Itajubá, e Sítio, Serra, Rua da Areia, Contador, Riacho do Pau.
Escrevo pensando também em sua avó, para quem pouco haveria de mais importante que manter viva essa história, que é a nossa, e de seus (nossos) heróis. Depois de passar tardes e noites ouvindo os relatos dela, quem diria que já chegou a minha vez de juntar à fábula dos antepassados algo de novo? Não quero tirar um retrato do ocorrido (para isso há os retratos propriamente ditos), mas recontá-lo do meu jeito, e não todo o passado, que não cabe em lugar nenhum, mas um pequeno fragmento.
Saiba você, Minduim, que corria o ano da graça de 1972, na formosa cidade de Belo Horizonte, na formosíssima Rua Correia Vasquez, lamentavelmente me esqueci do número, talvez nem tivesse, ou pelo menos eu não precisava dele, porque me levavam e me traziam de volta, conforme. Morava ali D. Lalinha, ou melhor dizendo, Vó Lalinha. Era mansa a começar do nome, com dois eles e no diminutivo, fácil de falar. Aliás, para os netos o nome era ainda mais fácil, era só “vó”. E era mansa como um coelho branco, a voz de algodão, os cabelos de nuvem, nunca jamais gritando com um neto, nem quando a gente se pendurava do lado de fora da grade da varanda, passatempo dos mais agradáveis, recomendo muito.
Pois nesse longínquo ano de 72, como sempre (ou seja, desde 1970, mais ou menos), esperei impaciente pelo natal, que era quando praticamente nos mudávamos para a casa de vó, eu e a salvianada vinda dos quatro cantos da terra. Naquelas semanas, morávamos no imponente castelo de três quartos, cercado por lindos campos de terra batida e, quando chovia, campos de lama. E chovia bastante no natal, o que tornava ainda mais verdes as plantações próximas, um consórcio de mamona e capim elefante. O solar situava-se sobre uma colina, dominando outras colinas mais baixas, além do viaduto, dos quais se separava por inexpugnáveis barrancos. Da nobre residência se avistava ao longe alta serra, a qual, quando você puder ler este relato, já estará devidamente transformada em pó de ferro, embalada e exportada para a China. E falando de metais, havia também nas imediações um aprazível cemitério de automóveis, cenário de memoráveis guerras de mamona. Bem mais longe, uma taberna oferecia bebidas de grande tradição e maior demanda: Mate Couro, Mirinda, Mineirinho, Crush, Grapette e, só para os habitués, Fanta-Guaraná.
Dentro do castelo, o movimento era sempre frenético (ia dizer lunático, mas sabemos que a família inteira é dotada de perfeita saúde mental). Pelo menos três tios disputavam o direito de gritar mais alto, por algum assunto de extrema relevância na hora e nenhuma depois disso, e primos e primas corriam desembestados pela sala, passando pela varanda, descendo pelo muro que dava para o corredor lateral e dando a volta pela cozinha para repetir o circuito, em movimento perpétuo, ou até alguém bater a testa na quina da mesa da sala de jantar (a culpa é do Giovanni!), o que forçava uma interrupção momentânea da atividade, retomada logo depois do temido Merthiolate (Minduim, pergunte a sua mãe o que é isso). Num sofá que os neurônios restantes me garantem que era azul claro, derrubado pelo lauto almoço e por um garrafão de Sangue de Boi (pergunte a sua mãe o que é isso, e a dor de cabeça que dá), Tio Clóvis desfilava sua risada eterna, ouvindo os causos do meu pai, que se repetiam, mas nunca, nunca da mesma maneira. Em frente, a vitrola com troca automática de discos (pergunte a sua mãe etc.) e um retrato de Cristo com o coração apertado pela coroa de espinhos, emocionantemente horroroso, mas vó gostava. Voltando ao sofá azul, às vezes ele virava submarino, às vezes barraca, às vezes Veraneio, que era um SUV sonho de consumo da classe média (taí, nem tudo muda tanto assim). Na cozinha, tinha a Judite, de quem me lembro pouco (ô Casa Grande & Senzala), mas me lembro da sopa, que tinha beterraba, muito cozida. Tinha também uma quantidade industrial de comida de natal, mas disso não dou fé porque naquela época nada podia me interessar menos, e não à toa pesava um quinto do que peso hoje.
Como prometi, mostro só um pedacinho da estória. Ficam outras coisas para depois, e para outros blogueiros, mas ainda dá tempo de fazer um travelling pela memória: os papéis de presente espalhados na sala no dia 25, a voz de trovão do Ona, o pássaro preto mal adestrado que roubava os grampos da Tia Anecy, o Tumba, um pastor-vira-latas de alta estirpe, o sorriso da Lalinha (com a Lalinha atrás), os filmes de Bíblia que passavam na TV (de baixíssima definição e em preto-e-branco), o Luiz Augusto, que ainda não era ronin, mas já destilava segredos, o fusca quatro-portas do Clodion, as enormes sandálias havaianas do Nildo (42, a minha era 30, se tanto), a amoreira no quintal, as cadeiras de couro trabalhado na sala de jantar, feitas pelo Ona, as tortas com cheiro de cominho da Tia Aldecy (alguns gozavam da dignidade de ser chamados de tios, outros não, ou nem sempre), as músicas de natal vindo dos compactos de vinil verde, os retratos de formatura do Miro e do Clodion, o retrato da família inteira, tirado no retratista, o quadro com fotos de todos os netos, a caixa d’água-piscina do terreno do Nildo, as agulhas de tricô de vó, tudo o que não volta mais, como o natal dos meus oito anos, quando a gente era feliz, e sabia, Minduim.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Banho no Açude

Bem eu não faço parte da ala escritora da família então vou escrevendo do jeito que a cabeça for lembrando.

O difícil é começar, quando estamos em família, conversando animadamente numa tarde de sábado as estórias fluem naturalmente mas na frente do micro é bem mais difícil. E escrevo, e corrijo e apago e releio e será que dá pra entender ?!?!!? E ai vem a dúvida, será que foi assim mesmo ?!?!

Mas há de se começar de alguma forma.

Ai me lembrei de uma que ouvi o Tio Ofa contando uma vez.

Pouco antes da família vir de Pernambuco para Minas, Vô Dedé e Vó Lalinha estavam na fazenda do Riacho do Pau e foram 'banhar' no açude.

O Tio disse que Vó Lalinha voltou do açude linda!! Que ele nunca tinha visto a mãe tão bela. E que ele tinha certeza que, Arlene (no caso minha mãe), apesar de ter nascido em Minas, foi concebida aquele dia lá nas águas do açude da Fazenda do Riacho do Pau, no município de Pedra-PE.

É claro que eu não faço idéia de até onde vai a história, onde começa a licença poética de quem falava da irmã caçula e o que minha memória mudou na história.

Só sei que eu estava lá e assim ouvi. :)

Ps: No post abaixo ficou faltando Claudio, filho de Vó Lalinha e Vô Dedé que faleceu ainda criança.

terça-feira, novembro 07, 2006

Um pouquinho da história dos Salvianos



Bom, o centro geo-cardíaco da minha infância foi Belo Horizonte. Todas as férias eram passadas lá. Boa parte delas na rua Correia Vasquez, Casa da Vó Lalinha, pertinho da casa do Tio Nildo, onde as horas de brincadeira eram garantidas. Como os Salvianos chegaram lá?


O resumo abaixo em achei no orkut, na comunidade dos Salvianos, presente da prima Bel lá de Pernambuco:
Francisco de Paulo Lanta Salviano (Pai Lanta) casado com Maria Wanderlei Campelo se casaram e criaram família em Pedra (PE). Filhos: Jose Campelo Salviano, João Campelo Salviano (Tio Dão, avô de Bel), tia Mira, Tia Celeste, Meninha, Eulália Wanderlei Salviano (Vó Lalinha) e Pedro Salviano.


Tia Mira, casou com João Tenório da Rocha, foi morar em Presidente Prudente e teve 3 filhos, Aércio (médico), Elda e Ailton, também médico, depois mudou-se para Dourado, MT

Tia Celeste, Tio Dão e Zé Campelo continuaram em Pedra.


Vó Lalinha, casou-se com vô Dedé (Manoel Salviano) e tiveram 10 filhos:

Clodion, Clóvis, Cleonio, Cleofas, Claudimiro, Aldeci, Anete, Aneci, Cleonildo e Arlene.

No final dos anos 30 mudaram-se para Minas Gerais, Belo Horizonte e foi daí que surgiu esta primaiada maravilhosa hoje espalhada neste mundão.


Na foto Tio Dão em sua fazenda. Quem gostou que acrescente um ponto, ou uma linha, ou várias...

segunda-feira, novembro 06, 2006

Coisa boa é lembrar!

Coisa boa é lembrar. Neste feriado a Patrícia esteve por aqui em Brasília. Veio passar o feriado na casa do Cleofas. No sábado sentamos eu, Zilda, Cleofas, Karine, Eulália, Ariela, Patrícia, Marcos Paulo, Lucas, Francisco, Fernando e a Talita para comemorar, adiantado, o aniversário da Patrícia! E como rolou lembranças.... Sinal da idade eu acho, hehe.

Mas foi bom d+ e me voltou uma idéia que vinha maturando a já algum tempo. Como é maravilhoso lembrar da história de nossa família! Quão rico é saber a história de nossa família! E como corremos o risco de perder boa parte dela. Daí, como inclusive prometi no chá com cerveja de sábado, a idéia de começar este blog.

Qual a idéia? Registrar aqui a história recente, futura e principalmente passada, longinqua mesmo, dos Salvianos e Grecos e de todos os que se somaram a estas famílias maravilhosas. Se a idéia vingar, e espero que vingue, quem sabe depois desdobramos o blog em sessões ou em outros blogs.

E, principalmente, será um blog coletivo, todos terão acesso ao mesmo, todos poderão contar, e espero que contem muitas, as suas lembranças e as histórias que ouviram de Vôs Dede e Lalinha e/ou Giovanni e Onésia, tios Aniello e Arlene, Juca e Mércia, Clodion, Clóvis e Celeste, Miro e Maria, Ofa e Beatriz, Ona e Olga, Aldeci e ... (tá vendo porque tem que registrar? Luís como é o nome do seu pai?), Anete, Aneci e Décio, Nildo e Afonsina e tantos primos, primas, sobrinhos, sobrinhas, a epopéia da travessia do atlântico dos Grecos e dos Salvianos (no sábado soube pelo Cleofas Jr. que os Salvianos também vieram da Itália!!!), da vinda da Pedra para MG e tantas outras histórias que, confesso, só lembro quando atiçado pela memória prodigiosa da Ariela e da Eulália.

Por isso conto com vocês irmão e irmãs, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas, tios e tias.

Contem seus causos, cada um com sua memorança, cada um com sua versão. Vamos registrar a história de nossas famílias.

Beijos do Giovanni